PELO TEMPO QUE PASSA
Eu não quero mais ter esperança
Não.
Esperança dói,
É expectativa pintada de novo e que dói como sempre
Amor esperançoso é o pior que existe
É pior do que desilusão
Iludir-se é mil vezes mais fácil que perder a fé
A fé em ser amado, em não sentir-se tão errado
A esperança torta, rota, inválida, de, quem sabe, ser querido
Mas, por algum sadismo divino, o que mais corre por meu sangue é esperança
Chega, pára, eu não quero mais sofrer
Sai de mim, amor errado
Sai de uma vez
Me ensina a seguir os caminhos da vida solitária em paz
Me ensina a não sofrer calado
Em não deixar transparecer o meu amor escancarado
Minha admiração velada, meu sonho
Minha música de notas mudas
Meu romance que ninguém viveu
Poesia que rima e não rima
Que se repete, que se completa
E que só me faz externar internamente
Essa paixão flutuantemente sólida
Mas errada, tortuosa
E, ainda sim, esperançosa.
Vém,
Me enfraquece com meus impulsos febris
Com meu sonho dourado
Vida feliz, cheia de amor e riqueza
Vida simples, sem projetos nem amanhãs
Felicidade em aproveitar as manhãs
Somente em tua companhia
Sonho bom que a vida interrompe
E me faz trocar por versos em vão
Ou vez ou outra perfeitos
Mas sempre tua homenagem
Minha inspiração e glória
Que, banhando-se em tamanha perfeição,
Nem consegue me ver direito
Mas, mesmo assim,
Ainda me cede seus olhos de guia
Rumo ao sonho anterior
Rumo à tua proteção,
Ao teu lado.